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Conheça Julia, a segunda bolsista do Ganhar o Mundo aprovada para bolsa integral de graduação nos EUA

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Julia Shimizu, 18 anos, de São Paulo, é a segunda bolsista do programa Ganhar o Mundo a ser aprovada por Barnard College para cursar graduação com bolsa de estudo integral. Embarca para Nova Iorque em agosto de 2019 para estudar Ciências Políticas e Economia.

Conversamos com Julia, que contou como o Ganhar o Mundo expandiu seus sonhos de estudar no exterior e mudou seu projeto de vida. Além disso, fala sobre o processo de application e planos futuros. Leia a seguir. 

– Como surgiu o seu interesse em estudar no exterior?

Quando eu tinha 15 anos foi lançado o Ganhar o Mundo. Não era um sonho concreto. Pensava em estudar fora, mas tinha acabado de começar o colegial. Não tinha tanta certeza como as bolsistas que conheci no Ganhar o Mundo, que eu notei terem mais certeza do que eu.

Mas era uma coisa que eu não tinha pensado muito porque eu estudei sempre numa escola que prezava pelo vestibular, que é o método de entrar numa faculdade no Brasil. Até que um dia eu e meu pai estávamos pesquisando sobre intercâmbio e ele se deparou com uma notícia sobre o Ganhar o Mundo.

– O que você lembra sobre a sua vivência durante o curso preparatório em Volta Redonda?

Eu tinha acabado de começar o colegial e as bolsistas que conheci eram mais velhas, já tinham tudo muito bem planejado para estudar fora e eu estava apenas começando. Por um lado, foi intimidador, por outro foi bom porque pensei “olha o grupo que estou”. Senti muita admiração porque eram meninas premiadas em olimpíadas, participavam de simulações da ONU e pesquisas acadêmicas, tudo isso ainda no Ensino Médio.

A parte que eu mais gostei e abriu a minha mente foi o fato de ter meninas de todas as partes do Brasil. Era muito rico porque cada uma tinha uma experiência de vida e uma história.

Pouco tempo depois que voltei de Volta Redonda, entrei em um grupo de trabalho voluntário da ONG Interact Brasil. Lá me envolvi na parte prática de questões sociais. Fiz trabalhos para idosos, crianças, orfanatos, escolas, campanhas sustentáveis, reciclagem. Eu fiquei muito interessada, pois via onde aplicar aquilo que aprendi.

Meu projeto de vida mudou completamente. Saí daquela mentalidade quadrada de só considerar o vestibular e abri minhas possibilidades. Eu realmente acredito se não fosse pelo Ganhar o Mundo, não teria sonhado em estudar fora do país.

– Como foi fazer o Pre-College em Barnard?

 No Pre-College no ano passado eu fiz os cursos: “Trump e a Ascenção da Extrema-Direita”, em Ciências Políticas, e “Escrita Criativa”, em Jornalismo. Lá eu realmente tive ideia de que a política não era a visão preconceituosa e equivocada que eu tinha, e sim algo que se estuda como ciência.

Ir para Barnard foi muito interessante porque nunca havia tido aula em nível acadêmico. Além de estar em Nova Iorque, que é uma cidade que eu amo, eu estava numa universidade cujo principal foco é estudar a mulher, diversidade de gênero e sexualidade, e estudei matérias que foram desafiadoras pra mim. Essa experiência abriu minha cabeça e impulsionou meu lado criativo.

– Por que você escolheu estudar Ciências Políticas?

Começou com o meu contato com as bolsistas do Ganhar o Mundo. A vivência com elas foi esclarecedora porque muitas também queriam prestar Ciência Política, então elas falavam sobre política de uma forma simples. Política não deve ser complicada, todo mundo deve entender um pouco porque está presente no dia a dia e afeta a vida de todos.

Por causa do Ganhar o Mundo, fiquei mais interessada em questões sociais.

Eu comecei a pesquisar sobre feminismo, racismo, direitos LGBTQ+ para entender um pouco mais. O feminismo me deixou interessada em Ciência Política porque me deu um espaço onde me encaixava como mulher e a política se tornasse algo mais tangível para mim.

– Como foi o processo de Application para as universidades?

 Ao contrário das outras bolsistas do Ganhar o Mundo, eu não tinha me preparado desde o primeiro ano do colegial. Sempre fui uma aluna muito esforçada na escola, mas não tirava nota pensando em mandar para uma universidade. Foi um pouco complicado, mas voltei do Pre-College decidida.

Em três meses prestei dois SAT, já tinha o TOEFL e traduzi documentos escolares. Imaginava que tinha poucas chances quando comparava meus resultados com os das pessoas que passaram em Barnard.

No processo do Application você é obrigado a refletir sobre si. Achei muito mais difícil pensar sobre mim do que escrever uma redação dissertativa.

Teve uma redação para Barnard com o tema “Se você pudesse entrevistar uma mulher da história ou ficção, quem seria e por quê?”. Primeiro escolhi Clarice Lispector. Estava lendo um livro dela e a acho sensacional.

Fiquei uns cinco dias pesquisando sobre ela. Mesmo a admirando muito, quando vi meu texto, achei muito chato e pouco interessante. Nessa época, eu fui a uma festa de Dia das Bruxas fantasiada de Dora, A Aventureira, então tive uma ideia estranha: quero fazer a redação sobre a Dora. Contei para o meu pai e ele achou sensacional. Mostrei o texto e ele disse que ficou bem melhor que o da Clarice.

Escrevi sobre a Dora no sentido de representatividade feminina em desenhos de aventura e ação. Além disso, citei sua origem latino-americana, já que é uma personagem latina e nos EUA ela fala em inglês e espanhol, abordando a questão da imigração e falei como ela trata tudo com diálogo, de forma pacífica. Terminei a redação dizendo que a Dora encararia o mundo de hoje de uma forma positiva e diria a todo mundo “let’s go, vamos!”.

– Como foi descobrir que foi selecionada para graduação em Barnard College?

Quando eu passei, realmente não acreditei. Quando você passa, recebe um e-mail de Barnard dizendo que houve uma atualização na sua página de cadastro. Quando entrei, não tinha nada. Então falei para a minha correspondente que deveria ser um erro e a agradeci. Aí ela me disse que teve um problema no site.

Quando entrei de novo, começou a cair confetes e a carta de aceitação apareceu. Eu fiquei impressionada. Chamei a minha mãe e começamos a gritar e chorar. Até agora não caiu a ficha. Acho que quando um sonho se realiza, é difícil acreditar.

– Quais são seus planos para o futuro?

No próximo mês vou me planejar e pesquisar todas as oportunidades que têm em Barnard de estudos, pesquisas, trabalho no campus etc.

Desde os dois anos de idade fiz balé e no terceiro colegial parei. Foi muito cruel, fez uma falta grande. Eu fiz uma promessa, que se eu passasse em Barnard, iria voltar a estudar dança lá. O programa de dança deles é muito bom e eu amo dançar. 

Penso em fazer mestrado depois de me formar, provavelmente na área de Ciências Políticas ou Relações Internacionais e levar política de forma apartidária para as escolas.

– Quais as suas dicas para quem busca estudar no exterior?

Estudar no exterior não é só para gênios, nem só para homens. Tinha a percepção que os estudantes aprovados em universidades no exterior eram gênios pelo o que eu tinha de notícias. O processo de application americano é diferente do nosso vestibular, não são 53 pontos na FUVEST que você precisa pra passar para a segunda fase. Não dá para fazer um simulado para saber se vai passar, avalia de um jeito mais subjetivo.

Ver o sonho das outras bolsistas fez com que eu pudesse sonhar. Se não fosse pelo Ganhar o Mundo, eu não estaria realizando um sonho que surgiu e cresceu justamente por conta do Programa. Se não fosse por toda a equipe que me acompanhou durante esse tempo, eu não teria sonhado tão grande e agora os meus sonhos vão ser cada vez maiores por conta disso. Isso mudou a minha vida! Let’s go, vamos!