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Diário de Viagem – By Maria Rangel

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Para simbolizar minha chegada aos Estados Unidos, eu mudei o sistema de horário do meu celular de 24 horas para 12 horas AM/PM, que é como eles normalmente usam aqui. Estava realmente decidida a mergulhar numa cultura diferente até nos mínimos detalhes. E foi que isso fiz: logo no meu primeiro dia, me tornei o clichê americano e achei uma pizzaria perto da universidade e uma fatia enorme (que custava 3 dólares) que foi o meu almoço.

Na segunda-feira após minha chegada, fui na Times Square e confirmei que toda a magia tão falada sobre ela é real. Mas foi quando eu vi a primeira Havaianas numa loja, que eu soube que o Brasil sempre estaria ali. E então decidi que iria procurar por pedacinhos do meu país em todo lugar que eu fosse.

No Bryant Park havia uma estátua do patriarca da independência (como mostravam os dizeres inscritos embaixo dela) José Bonifácio. No museu de design Cooper Hewitt havia uma obra de arte de um artista brasileiro. Na loja desse mesmo museu, havia um livro sobre Oscar Niemeyer. No Museu de Arte Moderna, um vídeo de poesia cantada pelo artista brasileiro Jonathas de Andrade. Em uma livraria no bairro Greenwich Village, o livro A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, estava exposto em destaque. No Brooklyn Garden, havia diversas plantas cujo país de origem era “Brazil”, e até vitórias-régias num lago artificial, me dando a oportunidade de contar a lenda indígena sobre ela a uma americana.

Nas aulas, sempre surgia uma situação em que o Brasil e sua cultura podiam ser mencionados, seja na aula de política ou de história. Na aula da manhã, em que estudávamos a história da pobreza ao longo do séculos, os sogros da professora moravam em Pernambuco! E conforme as discussões aconteciam, era possível encontrar diversas similaridades sociais entre Brasil e Estados Unidos, coisas sempre pontuadas pelas brasileiras na aula. À tarde, o tema era populismo de direita e nacionalismo, e o mesmo acontecia: compartilhávamos nossos pontos de vista sobre política americana e brasileira. No meu trabalho final, o tema foi sobre história do Brasil.

Tudo isso ocorria enquanto eu visitava pontos turísticos de Nova York, comia hamburguer e batata frita, comemorava o Quatro de Julho, dia da independência americana, e ouvia, lia e falava na língua inglesa, além de estudar especificidades da história do país.

A melhor parte de vivenciar outra cultura é sentir o contraste dela com a sua própria e crescer como pessoa por isso. Em Nova York e em Barnard, pude ter essa experiência, e me sinto mais perto de ganhar o mundo por causa dela.