julho/17
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Diário de Viagem – By Giulia Ribeiro

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Nunca fui de ver muita magia em fogos de artifício. Não sei se porque, quando eu era criança, os fogos eram para ser mais barulhentos do que bonitos, já que o objetivo onde eu morava era disfarçar os tiroteios e alertar sobre alguma ação policial ou de facção inimiga. Não sei se porque as luzes não conseguiam muito bem sobrepor a fumaça que ficava depois de tudo explodir. Enfim…

O ponto é que eu nunca fui de ligar muito para fogos de artifício, nem mesmo nas festividades do ano novo.

E aí veio o 4th of July.

A verdade é que, estando nos Estados Unidos pela primeira vez, especialmente durante esse tempo de problemática da imigração, eu esperava que o povo mais patriota do mundo fosse comemorar sua independência de um jeito mais hostil. Mas aí é que está: o 4th of July, para quem comemora, significa união. Eu ouvi de muita gente “se você está aqui hoje, então você merece celebrar conosco”. E foi inesperado e tão brilhante, como os fogos de artifício, ao mesmo tempo. Foi acolhedor. Eu comi comidas típicas no churrasco que a Barnard College ofereceu para nós, tive meu rosto pintado com as cores da minha bandeira e da deles, caminhei no meio de uma multidão cantando “U S A”, mas que também resolveu cantar “Brasil!” quando viu as brasileiras presentes. Tudo isso e, é claro, assistir a queima de fogos.

Foi poético, de certa forma, eu tão pequena no meio de tanta gente, de frente para a sede das nações unidas ” um grande complexo projetado por, olha só, nada mais nada menos do que o nosso brasileiro Oscar Niemeyer ” esperando os fogos começarem.

E talvez tenham sido as luzes brilhantes que me lembraram da sensação de pisar pela primeira vez na famosa Times Square. Talvez tenha sido a fumaça ganhando as cores dos fogos que brilhavam intensamente por entre os galhos das árvores. Talvez tenha sido até a música que tocava baixinho na caixinha de som portátil do meu lado. Mas, pela primeira vez, eu me encantei com aquilo tudo.

E eu confesso que, depois que acabou, eu fiquei esperando alguém puxar o hino, algo a mais acontecer. A magia fazendo meu corpo vibrar na expectativa de um “a mais” tão grandioso quanto todos os significados que a pipocavam em mim.

Mas a Terra continuou a girar independente do que acontecia comigo. As pessoas simplesmente viraram na direção oposta e marcharam de volta para casa, ignorando a enxurrada de sensações que me abalavam.

E foi anticlimático do mesmo modo que foi muito apropriado, que o mundo continuasse perfeitamente normal em seu rumo depois de encher meu peito, me fazer sentir que o tinha ganhado e escapar por entre os meus dedos mostrando que isso tudo é só o começo.