agosto/17
29

Conheça o “Application”

Publicado por

Se você sonha em ter no seu diploma em uma universidade nos EUA, talvez já tenha ouvido falar do rigoroso processo seletivo para ser aceito em uma instituição de ensino americana. Apesar de ser bem diferente da seleção feita pelas instituições aqui no Brasil, está longe de ser impossível de passar. É preciso planejamento, determinação e foco. A seguir contamos um pouco sobre os passos que deve tomar para “aplicar” para uma universidade americana.

As universidades brasileiras usam a nota do vestibular para determinar quem entra e quem fica de fora, as instituições dos Estados Unidos consideram uma série de outros fatores, como atividades extracurriculares  e cartas de recomendação . Você ainda terá de fazer algumas provas, mas a universidade americana olhará também para o seu histórico acadêmico e, principalmente, para atividades extracurriculares que você tenha desenvolvido em sua vida.

O que é uma atividade extracurricular?

Trabalho voluntário, desenvolvimento de projetos, iniciativas de empreendedorismo e até mesmo prática de esportes. As faculdades avaliam o aluno como “um todo” e não simplesmente baseado em seu histórico escolar.

Por causa dessa complexidade, não existe uma fórmula mágica para aprovação, e sim você deve impulsionar sua candidatura, garantindo um currículo com atividades extra e engajamento em causas que você acredita..

Como as universidades dão tamanha importância para atividades extras e exigem um volume considerável de material prévio na candidatura (provas, cartas e etc), não dá para decidir tudo de última hora. O ideal é começar o mais cedo possível quanto mais tempo você tiver com notas boas e envolvimento em atividades, melhor. Caso já tenha se formado, você pode fazer o famoso “gap year” que seria como o nosso ano aqui no Brasil que os alunos se dedicam apenas aos cursinhos e estudos para passarem em boas faculdades por aqui.

Além  de se esforçar para conseguir boas notas e realizar atividades extras, você deve investir no inglês que é imprescindível para sua aprovação. Existem milhares de escolas presenciais e online especializadas nas provas de proficiência em inglês, que oferecem  simulados do teste Toefl gratuitamente.

O processo de candidatura recebe o nome de “application”, e por isso é tão comum ouvir de um aluno que está “aplicando” para determinada universidade. A plataforma mais usada para fazer applications é chamada Common App. Mais de 600 instituições utilizam o serviço. Há etapas que dependerão da escola em que você estuda, como as cartas de recomendação, school profile (perfil da escola, muitas brasileiras não possuem esse documento). Se a escola não sabe por onde começar, o EducationUSA oferece material e palestras de orientação gratuitamente por suas mídias sociais.

Confira a documentação exigida para o “application”:

Histórico acadêmico – São os chamados “transcripts”: notas durante o ensino médio. A maioria das grandes universidades americanas exige uma tradução oficial, feita por um profissional certificado.

Provas – Para a maioria das universidades, você terá de fazer pelo menos uma prova: SAT (também chamado de SAT I) ou ACT. O SAT é um dos testes de admissão mais comuns dos Estados Unidos e avalia habilidades de raciocínio em matemática, interpretação de texto e escrita em inglês. Já o ACT é composto por quatro seções: inglês, matemática, interpretação de texto e raciocínio científico, além de uma seção optativa de escrita. É preciso pesquisar qual prova é exigida pela faculdade de sua escolha.

Existe ainda o SAT Subject Test (ou SAT II), que serve para avaliar o seu conhecimento em uma área específica. É possível fazer o SAT II em 20 áreas diferentes. As universidades mais concorridas podem pedir duas ou três provas desse tipo, além do SAT I. As provas são realizadas em escolas aqui no Brasil, entre cinco e seis vezes por ano.

A inscrição do SAT I custa US$ 57, além de uma taxa de US$ 35 para estudantes internacionais (caso de brasileiros). Para o SAT II são US$ 26 pela inscrição (até três matérias), além de US$ 20 por matéria e mais uma taxa de US$ 35 para estudantes internacionais. O custo do ACT, incluindo a parte escrita optativa, sai por US$ 58,50, mais a taxa de US$ 51 para candidatos internacionais.
Em relação sobre a proficiência em inglês, a exame mais comum é o TOEFL, mas há também o IELTS. Ambos avaliam compreensão auditiva, leitura, escrita e fala da língua inglesa. No caso de universidades americanas, o TOEFL é o mais recomendado. A nota máxima desse exame é 120, portanto quanto mais próximo disso, melhor, a maioria das instituições exige uma nota mínima. A inscrição para fazer a prova custa US$ 215.

Cartas de recomendação – Em geral, são três cartas de recomendação necessárias: uma do coordenador da sua escola e duas de dois professores (com quem você tenha tido aula no último ou no penúltimo ano). As cartas devem ser redigidas em inglês e encaminhadas pelo próprio autor. O Common App dará a opção de “convidar” por e-mail a pessoa que irá escrever a recomendação. A carta oferece uma visão de quem é o aluno, como lida com professores, alunos e as matérias obviamente.

Redação – É a chance de mostrar quem é você.  O chamado “Essay” costuma ser o maior desafio para os alunos. Algumas universidades chegam a pedir mais de uma redação. O ideal é mostrar no texto um lado que a documentação do application não traz.  Essa redação permite que você conte a sua história com a sua própria voz. O melhor é sempre mostrar na redação o que não aparece no currículo escolar. O candidato deve prestar atenção ao estruturar sua redação, pois  através do que os alunos escrevem nas redações e a forma como fazem isso, a faculdade também consegue entender um pouco o perfil do aluno.

É importante fugir de clichês; “Fui viajar para um lugar pobre e fiz trabalho voluntário e mudou minha vida”, isso pode parecer um pouco superficial. Uma experiência contínua tem um valor muito maior e enriquecedora e com certeza a faculdade verá com outros olhos. O ideal é falar sobre algo que influenciou na sua vida, talvez até alguma coisa mais simples mas que tenha tido um certo impacto em seu dia a dia.

A ideia é escrever sobre quem você é.

Entrevista – Não são todas as universidades que realizam entrevistas com os candidatos internacionais. As mais disputadas podem querer um contato. Não existe uma regra: alguns estudantes são convidados para fazer a entrevista, outros não. As conversas podem ser conduzidas por telefone, online ou presencialmente, por ex-alunos que sejam brasileiros ou representantes da instituição. Normalmente, as entrevistas acontecem entre janeiro e fevereiro.

Estratégia – O estudante pode “aplicar” para quantas universidades quiser. A diferença? O custo. E a quantidade de trabalho. Só a taxa cobrada pela universidade para inscrição varia entre US$ 35 e US$ 80. Mas é possível conseguir isenção na candidatura, caso você não tenha como pagar. No próprio Common App, o candidato pode indicar que gostaria de pedir isenção — caso de um estudante de baixa renda, por exemplo — e dar a justificativa. Quando o estudante faz esse pedido, automaticamente o coordenador da escola no Brasil tem de confirmar se aquele motivo é verdadeiro. Normalmente nesses casos, a inscrição acaba ficando isenta.

Existe ainda outro tipo de candidatura, que é feita mais cedo. A  chamada “early action”. São os applications que costumam abrir em outubro, com resultados no começo de dezembro. Em geral, nesta fase, você se candidata para uma só universidade. E aqui, se quiser, pode usar um recurso chamado “early decision” (ou decisão antecipada). É um jeito de mostrar que aquela é a sua principal opção. Funciona assim: na candidatura, você se compromete a ir para aquela universidade caso nela seja aprovado.

Prazos – As aulas começam entre agosto e setembro nos Estados Unidos, não no começo do ano, como tradicionalmente acontece no Brasil. As candidaturas regulares para as universidades se dão entre os meses de dezembro (do ano anterior ao que você vai iniciar os estudos) e janeiro (do ano em que você começa a estudar). Em geral, os estudantes ficam sabendo da aprovação em março. A partir de então, os aprovados terão um prazo estabelecido pela universidade para fazer a matrícula. Depois dessa data, as vagas remanescentes são oferecidas a alunos em lista de espera.

Bolsas de estudos – Existem dois principais tipos de bolsa oferecidos pelas universidades americanas: por mérito e por necessidade. Algumas oferecem os dois tipos. Na sua pesquisa de perfil das universidades, isso é algo que terá de levar em consideração, para escolher a que se encaixa no que você precisa. Cada uma terá um método de se candidatar para as bolsas.  O número de bolsas disponíveis para  alunos internacionais varia de acordo com a universidade. Existe ainda a opção de conseguir bolsas por meio de uma entidade externa aqui no Brasil.

Segunda graduação – Outra diferença das instituições de fora: fazer uma segunda graduação não é tão comum lá quanto aqui. Ou seja, caso você já tenha cursado a faculdade, programas menores (de três meses a dois anos) podem ser mais recomendados do que quatro anos de uma nova graduação. Ainda assim, não significa que você não possa tentar.  O mais comum nesse caso é a extensão universitária.

Ganhar o mundo – O Programa Ganhar o Mundo da Fundação CSN tem parceria com Barnard College que é parceira da Columbia University, uma das Instituições da Ivy League (um grupo formado por oito das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos: Brown, Columbia, Cornell, Dartmouth, Harvard, Princeton, Universidade da Pensilvânia e Yale.). Barnard é  uma universidade feminina, com foco em Liberal Arts que nada mais é do que a possibilidade da aluna sair com mais de um diploma no final de sua graduação completamente distintos como, Economia e Artes Cênicas.

Agora, nossas  candidatas para o Programa esse ano, começarão a se preparar para o application. Após muito estudo online, viagem de estudos para Nova Iorque, no Pre College Program em Barnard e Intensive English Course na The New School, o ínicio da busca de um sonho está começando. Se você também quer estudar fora, chegou a hora de começar a se preparar!

 

Boa sorte!